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Mostrando postagens com o rótulo comportamento

7 de setembro de 1971

Todo mundo chega em certa idade da vida e acha que seria uma boa ideia escrever um livro com seus casos e aventuras, mas temos que admitir, a maioria deles teria apenas um leitor: o revisor de textos. Se sua vida foi chata, lamento, ficaremos na página dois. Algumas pessoas contam suas histórias como lições, e essas são as mais chatas, outras contam suas histórias como infrações, essas dão  best seller . Há histórias que são compartilhadas na história de um lugar, de uma gente. Essas histórias são de um tipo tal, que todas as pessoas se ligam ao acontecimento de forma que se sentem como participantes, não meras espectadoras. Elas estão "aqui" na história. Foto: Blog Maria do Rosário A celebração da independência é um momento de perpetuação de um evento da história. Em certos países é tão significativa, que mesmo os jovens separados no tempo por séculos, incorporam e reproduzem o sentimento de independência daquela nação. Se investem do orgulho alcançado pelos antepassados e c...

Futrica mais que eu gosto

Relembrar memórias com a pessoa amada e descobrir que não era ela que estava lá, provoca um tipo de silêncio que costuma demorar uma semana, por aí...   Existem certas memórias que ficam na emoção. É um cheiro, um clima, um ambiente, um sabor... aquela coisa que fica guardada no afeto, e que volta como se fosse hoje ou semana passada, e quase sempre é relembrada com a pessoa errada. E Juiz de Fora é o lugar ideal para tragédias assim. Uma das riquezas culturais de Juiz de Fora são seus botecos. Poderia enumerar vários, mas o Futrica tem glamour e sua singularidade, e é o verdadeiro endereço de onde o diálogo inusitado, linhas abaixo, aconteceu. Acervo do Bar do Futrica Aqui na terra do torresmo, seria pouco provável que prosperasse, há décadas, um boteco que serve a pizza mais exclusiva do planeta. O Futrica é da época da culinária, não da gastronomia; da cozinheira, não do cheff ; da boa comida, não do gourmet . O centro de Juiz de Fora até os anos de 1970 e 1980 ainda se dividia ...

Um almoço juizforano de Dia dos Pais

Dia dos pais é dia de almoço em família, e dia de almoço em família é de aparar as arestas do passado entre os irmãos que se sentiram menos atendidos pelo pai durante a infância. Família de verdade usa essas datas para rever a propriedade daquela boneca ou daquela roupa que uma pegava da outra sem pedir emprestado, e até mesmo para antecipar os direitos de herança sobre um relógio ou de tudo mesmo, com a vantagem de ter o futuro “de cujos” presente. Às vezes ele até pode ajudar. Enfim, dia dos pais é dia de ajuste de contas. Um presente que se dá, é camisa. E numa prole numerosa os filhos percebem o quanto são mais, ou menos “queridinhos do papaizinho” de acordo com a regularidade que os pais usam os presentes dados pelos filhos. Os pais não percebem, mas os filhos notam se estão usando ou não os presentes que deram ao pai nos anos passados. Seja um par de meias, um perfume ou uma camisa, o termômetro da preferência é o uso do presente. Numa concorrência de presentes iguais, o placar é...

Bicicross no Bom Pastor

Longe de mim ser saudosista, mas cada época tem possibilidades que acabam sendo impossíveis de oferecer a novas gerações. Assim como não tivemos os passeios bucólicos de bicicleta pelas vias rurais de Juiz de Fora como nossos pais e avós tiveram, eles também não tiveram as nossas chances. E com o bicicross foi assim. Velocidade, sangue nas canelas ao som de AC/DC. Era uma preocupação dos pais dos anos oitenta que não fôssemos muito longe. Embora não houvesse um décimo de receio com violência como há hoje, éramos crianças que não deviam se afastar muito de casa. Brincar nas ruas do bairro era algo possível, desejável e seguro. Nem carro passava direito para atrapalhar. Ainda nos anos 70 o então prefeito Mello Reis, cheio de boas intenções, iniciou uma obra controversa onde hoje está o Condomínio Neo-residencial: o Estádio Regional! Havia um stand de vendas, com uma bela maquete, no Calçadão, onde você poderia adquirir uma cadeira cativa para usá-la livremente em qualquer jogo sem pagar...

Obrigado, de Nada, joia Artista!

Apenas quem já morou em São Paulo sabe o que é ter vontade de bater em uma pessoa por causa de um pastel de queijo. Na terra dos bandeirantes, eles têm a indecência de vender pastéis com tamanho sedutor, mas com uma única fatia de queijo muçarela dentro. Sério! Dá ou não dá vontade de pegar o cara de turminha! Aqui em Juiz de Fora, a sede mundial do salgado frito, os pastéis são um episódio a parte. Deus me livre comer um pastel de queijo que não me queime a boca, ou não pingue na roupa! Tem que pingar! Tem que ter aquele naco de queijo minas bem grande, que solta água e não derrete bem. Pastel de queijo bom é ali na Pio X e na saída da Galeria Hallack para a Mister Moore, onde eu e o Rodrigo comprávamos por peso pasteizinhos ao invés de pipoca. Eu tive o privilégio de ser um dos primeiros a topar com um caminhão velho, colorido e esquisito logo na saída do colégio. Fiz o primário no Stella. A pintura berrante daquele caminhão que acabara de estacionar na Independência quas...

King Kong: o maior ator Macaco de todos os tempos

Foto: Maria do Resguardo De uma noite para o dia em um agosto de 1977, King Kong, o maior ator macaco de todos os tempos, estava visitando a terra de Santo Antônio do Paraibuna onde tudo tende a um fim pouco honroso, mas guardamos na tradição como glórias locais. O maior ator primata de Hollywood estava fincado no Parque Halfeld. Era um gigantesco bicho de pelúcia! Que fofo! A cada filme lançado nos cinemas, o mercado editorial colocava um pequeno exército de pessoas na frente das escolas distribuindo gratuitamente álbuns de figurinhas com um pacotinho dentro, e eram cinco figurinhas! A jogada de marketing causava um alvoroço na saída do colégio com aquela turba infantil excitadíssima com o presente de grego que acabaram de dar às mães. Óbvio que todas as crianças reivindicavam ir às bancas quase diariamente comprar mais pacotinhos para preencher o álbum. Cada pacotinho uma emoção... Droga! Repetida! Bom, talvez isso se resolva trocando figurinhas ou comprando mais pacotinhos. Cont...

Fliperama

“Eu sou o cavaleiro negro. À procura de um... de-sa-fiiio!” Esse era o canto da sereia, digo, o chamado do Cavaleiro Negro que hipnotizou milhares de meninos juizforanos! Os adolescentes na era dos anos 1980, além da música de excelente qualidade que brotava nas estações de rádio, viam vicejar inovações eletrônicas com luzes, sons e brilhos que os seduziam: o Fliperama. A história de muito juizforano não pode ser contada sem antes fazer uma pausa nos botões de Cavaleiro Negro, Shark, Pac-man, Asteroides, ou mesmo numa mesa de totó. O mundo pré vídeo game exigia que o jovem saísse de casa e esvaziasse os bolsos em troca de fichas. E para isso, valia sacrificar o dinheiro do ônibus, aquele lanche que você disse que ia fazer na cantina, aquele troco que a mãe deixou com você. Valia matar aula para isso... tá bom... confesso, valia matar aula quase por qualquer coisa. O fliperama estava ali, aquele maquinário todo com seu barulho caótico no centro da cidade, em pleno Calçadão. Impossível...

a Maior corrida de carrinhos de Rolimã da Terra!

Carrinho de rolimã era coisa de "moleque", assim como bolinha de gude e aquelas rodinhas de tamanhos e materiais variados que os meninos conduziam pelas ruas com arames fazendo manobras incríveis. Já vi gente ousada fazer isso com pneu de verdade! Puxar carrinho com barbante era o brinquedo mais popular. Todo menino quando nascia ganhava uma bola e um carrinho para puxar. A criatividade humana sempre consegue dar aplicações novas a velhos objetos, seja por necessidade, ou por pura diversão. Rolimã nada mais é que um rolamento de máquinas. Não se sabe quando nem onde, mas a sobra disso em alguma sucata e o espírito criativo de um legítimo moleque, deu à rolimã seu uso mais nobre: o carrinho de rolimã. E a coisa dá trabalho. O primeiro tem que ter a mão do pai, do tio, de alguém mais velho. Com certeza foi o primeiro experimento de engenharia de muita gente. Tem que ter tábuas, serra, tem que ter pregos e martelo, e o rolimã. Para se atingir o nível da arte, o piloto mirim te...

CLiMa DoiDo

Se tem uma coisa juizforana, é dizer que em um mesmo dia temos as quatro estações. Por isso, não se pode discutir clima com juizforanos. Somos especialistas em errar previsões. Corre uma certeza entre nós, que nossa cidade amanhece no inverno, segue na primavera até às dez, e já no meio dia até as cinco temos o clima tórrido do verão. Mas as chuvas que marcam o outono chegam no fim da tarde e com sorte, se não tiver pernilongos dividindo a sua cama, pode ser que esfrie. O juizforano precavido tem um kit de sobrevivência na mochila: uma garrafinha d’água caso faça calor; um guarda-chuva caso chova; uma blusa caso esfrie; e um antialérgico caso a poeira levante. Se a profecia se cumprir, você precisará de tudo isso no mesmo dia. Mesmo que aqui não seja a Amazônia, em todo verão o juizforano diz que nunca fez tanto calor. Se existe o aquecimento global, o lugar de senti-lo é aqui. E para isso, o remédio é ir para o Calçadão reclamar do calor procurando por alguma modernidade que tenha su...