Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Novo

Obrigado, de Nada, joia Artista!

Apenas quem já morou em São Paulo sabe o que é ter vontade de bater em uma pessoa por causa de um pastel de queijo. Na terra dos bandeirantes, eles têm a indecência de vender pastéis com tamanho sedutor, mas com uma única fatia de queijo muçarela dentro. Sério! Dá ou não dá vontade de pegar o cara de turminha! Aqui em Juiz de Fora, a sede mundial do salgado frito, os pastéis são um episódio a parte. Deus me livre comer um pastel de queijo que não me queime a boca, ou não pingue na roupa! Tem que pingar! Tem que ter aquele naco de queijo minas bem grande, que solta água e não derrete bem. Pastel de queijo bom é ali na Pio X e na saída da Galeria Hallack para a Mister Moore, onde eu e o Rodrigo comprávamos por peso pasteizinhos ao invés de pipoca. Eu tive o privilégio de ser um dos primeiros a topar com um caminhão velho, colorido e esquisito logo na saída do colégio. Fiz o primário no Stella. A pintura berrante daquele caminhão que acabara de estacionar na Independência quas...

King Kong: o maior ator Macaco de todos os tempos

Foto: Maria do Resguardo De uma noite para o dia em um agosto de 1977, King Kong, o maior ator macaco de todos os tempos, estava visitando a terra de Santo Antônio do Paraibuna onde tudo tende a um fim pouco honroso, mas guardamos na tradição como glórias locais. O maior ator primata de Hollywood estava fincado no Parque Halfeld. Era um gigantesco bicho de pelúcia! Que fofo! A cada filme lançado nos cinemas, o mercado editorial colocava um pequeno exército de pessoas na frente das escolas distribuindo gratuitamente álbuns de figurinhas com um pacotinho dentro, e eram cinco figurinhas! A jogada de marketing causava um alvoroço na saída do colégio com aquela turba infantil excitadíssima com o presente de grego que acabaram de dar às mães. Óbvio que todas as crianças reivindicavam ir às bancas quase diariamente comprar mais pacotinhos para preencher o álbum. Cada pacotinho uma emoção... Droga! Repetida! Bom, talvez isso se resolva trocando figurinhas ou comprando mais pacotinhos. Cont...

Legítima Defesa

Se adolescência ainda é superação, na década de 1980 era muito pior. Os anos 80 marcaram uma grande virada política que nos afeta até hoje. Saímos do governo Figueiredo em direção às “diretas já”, para uma decepcionante era Sarney com o insólito tabelamento de preços e a ridícula “Sunab”, para achar no final da década que o Collor caçaria algum marajá e daria o tiro certeiro na onça da inflação sequestrando o dinheiro das pessoas. O que um adolescente normal faz diante isso? UMA BANDA DE ROCK, é claro!!!!! Banda Legítima Defesa Tá bom... isso é desculpa esfarrapada. Na verdade, o adolescente não se importa com nada disso. Todo adolescente só quer é uma namorada mesmo. E como isso era difícil nos anos 80! Se você não é bonito, e como nenhum adolescente acha que é, você tem que ter um carro. Acontece que isso talvez aconteça só depois dos 18... mas aí já é velho demais. E se além de feio, é pobre, tem que ter consciência política para mudar o mundo! Esquece... isso tudo é muito complica...

Fliperama

“Eu sou o cavaleiro negro. À procura de um... de-sa-fiiio!” Esse era o canto da sereia, digo, o chamado do Cavaleiro Negro que hipnotizou milhares de meninos juizforanos! Os adolescentes na era dos anos 1980, além da música de excelente qualidade que brotava nas estações de rádio, viam vicejar inovações eletrônicas com luzes, sons e brilhos que os seduziam: o Fliperama. A história de muito juizforano não pode ser contada sem antes fazer uma pausa nos botões de Cavaleiro Negro, Shark, Pac-man, Asteroides, ou mesmo numa mesa de totó. O mundo pré vídeo game exigia que o jovem saísse de casa e esvaziasse os bolsos em troca de fichas. E para isso, valia sacrificar o dinheiro do ônibus, aquele lanche que você disse que ia fazer na cantina, aquele troco que a mãe deixou com você. Valia matar aula para isso... tá bom... confesso, valia matar aula quase por qualquer coisa. O fliperama estava ali, aquele maquinário todo com seu barulho caótico no centro da cidade, em pleno Calçadão. Impossível...

a Maior corrida de carrinhos de Rolimã da Terra!

Carrinho de rolimã era coisa de "moleque", assim como bolinha de gude e aquelas rodinhas de tamanhos e materiais variados que os meninos conduziam pelas ruas com arames fazendo manobras incríveis. Já vi gente ousada fazer isso com pneu de verdade! Puxar carrinho com barbante era o brinquedo mais popular. Todo menino quando nascia ganhava uma bola e um carrinho para puxar. A criatividade humana sempre consegue dar aplicações novas a velhos objetos, seja por necessidade, ou por pura diversão. Rolimã nada mais é que um rolamento de máquinas. Não se sabe quando nem onde, mas a sobra disso em alguma sucata e o espírito criativo de um legítimo moleque, deu à rolimã seu uso mais nobre: o carrinho de rolimã. E a coisa dá trabalho. O primeiro tem que ter a mão do pai, do tio, de alguém mais velho. Com certeza foi o primeiro experimento de engenharia de muita gente. Tem que ter tábuas, serra, tem que ter pregos e martelo, e o rolimã. Para se atingir o nível da arte, o piloto mirim te...

Professor Toledo

“Quem foi aluno do Professor Toledo nunca esquece!”. Essa é uma das verdades do mundo. Minha vida esbarrou no Professor Toledo no ano de 1984, numa oitava série do primeiro grau, no Colégio Machado Sobrinho. Um homem de média estatura, grisalho, rosto limpo, espinha ereta, um discreto blazer. Passaria despercebido em qualquer lugar por sua suavidade e boa educação. Mas, na sala de aula, um GIGANTE. Foto cedida pela família Ao seu pisar em sala, eu e toda aquela turba de adolescentes nos posicionávamos de pé e para frente. Fazíamos o sinal da cruz e rezávamos em voz alta e respeitosamente: "Ave Maria cheia de graça, O Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém. No exato momento da última sílaba, a sala era preenchida com um silêncio arrebatador. Era como se fôssemos lançados num templo, num ambiente sagrado. Nenhum barulho ousava sair de...

alegria Represada

Foto: Blog Maurício Resgatando o Passado  Por causa de um rastro genético primitivo, somos atraídos pela água. Gostamos de ficar do lado dela, de contemplar ou de nos atirar no seu abraço. Quem nunca se sentou na areia e deixou o olhar se perder no mar, ou mesmo numa pequena poça d'água na chuva. Somos feitos de água. Brincamos feito crianças entre braçadas e mergulhos. Felizes os que moram perto do mar! Ter contato com água é humano; proibir isso é desumano. E foi um ato desumano que nos furtou a Represa. Uma lei de 1987 mandou que nenhum juizforano usasse a represa para a alegria, exceto alguns, por suposto direito adquirido. Disseram que eu, você e as crianças fazemos mal para a Represa. Ficou decretado que, exceto os alguns, não temos direito algum de ficar perto daquela água! A Represa Doutor João Penido foi construída em 1934 com a finalidade de servir de reservatório de águas para as pessoas de Juiz de Fora beber. É verdade que queremos água boa, mas ...

tV Industrial

Foto: Pinterest A dura expressão "equipamentos urbanos" não traz a leveza desse conjunto arquitetônico de 1964, que está pousado sobre o Morro do Cristo. Que delícia as tardes de domingo, subir até o mirante para apreciar a cidade, buscar minha casa, quem sabe uma refeição no badalado Restaurante do Mirante, e com sorte assistir algum programa ao vivo da TV Industrial com Wilson Simonal. Isso não volta, é claro, mas o patrimônio está ali. Dificilmente alguém tece elogios à Prefeitura, mas aqui vai o meu. O tombamento do prédio da TV Industrial em março de 2019 veio antes que fosse tarde. O prédio em forma helicoidal projetado pelo arquiteto Armando Favatto, que desde ano passado denomina oficialmente o prédio, é uma joia da arquitetura. Simbolicamente, sua forma propaga a ideia que a comunicação é uma onda que vai do zero ao infinito.  Mas faltam duas coisas, uma muito simples. A primeira, que não é simples, é restaurar a estrutura metálica da antena que foi covar...

O exército de um soldado só

Esse ano quero dar os parabéns especiais a um tipo específico de trabalhador, o trabalhador solitário, como eu mesmo. Nós trabalhadores solitários somos homens e mulheres por conta própria, somos empresas de uma pessoa só, somos autônomos, profissionais liberais, informais, empreendedores, somos milhões se virando, dando um jeito, correndo atrás. Fazemos bolo, doces, cozinhamos “pra” fora. Dirigimos carros, motos, vans, levamos pessoas e objetos para toda parte. Temos uma lojinha, uma oficina, um salão, um escritório, um bar... Ajuste de roupa, parede pintada, o pneu que furou, a piscina limpa, aula particular, treino, obturação de dente, cálculo da laje, receita do remédio, a petição para o juiz, banho na sua mãe idosa. Cada um faz o que sabe, o que pode, o que dá. Vamos na sua casa se precisar. Se deu certo você pode até dizer que foi sorte, se deu prejuízo o problema, eu sei, é meu, mas em ambos os casos, o suor e a vontade foram os mesmos. Temos fi...