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Mostrando postagens com o rótulo prefeitura

Bicicross no Bom Pastor

Longe de mim ser saudosista, mas cada época tem possibilidades que acabam sendo impossíveis de oferecer a novas gerações. Assim como não tivemos os passeios bucólicos de bicicleta pelas vias rurais de Juiz de Fora como nossos pais e avós tiveram, eles também não tiveram as nossas chances. E com o bicicross foi assim. Velocidade, sangue nas canelas ao som de AC/DC. Era uma preocupação dos pais dos anos oitenta que não fôssemos muito longe. Embora não houvesse um décimo de receio com violência como há hoje, éramos crianças que não deviam se afastar muito de casa. Brincar nas ruas do bairro era algo possível, desejável e seguro. Nem carro passava direito para atrapalhar. Ainda nos anos 70 o então prefeito Mello Reis, cheio de boas intenções, iniciou uma obra controversa onde hoje está o Condomínio Neo-residencial: o Estádio Regional! Havia um stand de vendas, com uma bela maquete, no Calçadão, onde você poderia adquirir uma cadeira cativa para usá-la livremente em qualquer jogo sem pagar...

Legítima Defesa

Se adolescência ainda é superação, na década de 1980 era muito pior. Os anos 80 marcaram uma grande virada política que nos afeta até hoje. Saímos do governo Figueiredo em direção às “diretas já”, para uma decepcionante era Sarney com o insólito tabelamento de preços e a ridícula “Sunab”, para achar no final da década que o Collor caçaria algum marajá e daria o tiro certeiro na onça da inflação sequestrando o dinheiro das pessoas. O que um adolescente normal faz diante isso? UMA BANDA DE ROCK, é claro!!!!! Banda Legítima Defesa Tá bom... isso é desculpa esfarrapada. Na verdade, o adolescente não se importa com nada disso. Todo adolescente só quer é uma namorada mesmo. E como isso era difícil nos anos 80! Se você não é bonito, e como nenhum adolescente acha que é, você tem que ter um carro. Acontece que isso talvez aconteça só depois dos 18... mas aí já é velho demais. E se além de feio, é pobre, tem que ter consciência política para mudar o mundo! Esquece... isso tudo é muito complica...

a Maior corrida de carrinhos de Rolimã da Terra!

Carrinho de rolimã era coisa de "moleque", assim como bolinha de gude e aquelas rodinhas de tamanhos e materiais variados que os meninos conduziam pelas ruas com arames fazendo manobras incríveis. Já vi gente ousada fazer isso com pneu de verdade! Puxar carrinho com barbante era o brinquedo mais popular. Todo menino quando nascia ganhava uma bola e um carrinho para puxar. A criatividade humana sempre consegue dar aplicações novas a velhos objetos, seja por necessidade, ou por pura diversão. Rolimã nada mais é que um rolamento de máquinas. Não se sabe quando nem onde, mas a sobra disso em alguma sucata e o espírito criativo de um legítimo moleque, deu à rolimã seu uso mais nobre: o carrinho de rolimã. E a coisa dá trabalho. O primeiro tem que ter a mão do pai, do tio, de alguém mais velho. Com certeza foi o primeiro experimento de engenharia de muita gente. Tem que ter tábuas, serra, tem que ter pregos e martelo, e o rolimã. Para se atingir o nível da arte, o piloto mirim te...

Professor Toledo

“Quem foi aluno do Professor Toledo nunca esquece!”. Essa é uma das verdades do mundo. Minha vida esbarrou no Professor Toledo no ano de 1984, numa oitava série do primeiro grau, no Colégio Machado Sobrinho. Um homem de média estatura, grisalho, rosto limpo, espinha ereta, um discreto blazer. Passaria despercebido em qualquer lugar por sua suavidade e boa educação. Mas, na sala de aula, um GIGANTE. Foto cedida pela família Ao seu pisar em sala, eu e toda aquela turba de adolescentes nos posicionávamos de pé e para frente. Fazíamos o sinal da cruz e rezávamos em voz alta e respeitosamente: "Ave Maria cheia de graça, O Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém. No exato momento da última sílaba, a sala era preenchida com um silêncio arrebatador. Era como se fôssemos lançados num templo, num ambiente sagrado. Nenhum barulho ousava sair de...

a Longa noite do museu Mariano Procópio

Quando criança meu pai me levava com frequência ao Museu Mariano Procópio. Eu olhava com atenção as centenas de peças da coleção. Entre tantas, eu ficava um pouco assustado, mas muito admirado, com a pintura do "Tiradentes Esquartejado", uma imensa tela de 1893 do pintor brasileiro Pedro Américo de Figueiredo e Melo. Eu ainda não entendia que aquele impressionante quadro, que ilustrava os livros de história sobre a inconfidência mineira, era um ícone do imaginário republicano construindo um herói que legitimava a revolução de 1889. O Tiradentes Esquartejado era o meme pró republicano do século XIX. Poucos se dão conta que Pedro Américo é tao importante que foi ele que criou duas outras telas impressionamtes, "o grito do Ipiranga" e "A Batalha do Avaí". A mera exposição do Tiradentes Esquartejado faria valer a pena vir à Juiz de Fora, visitar o Museu. Diga-se de passagem, o Museu Mariano Procópio ostenta (ostentava) possuir a segunda maior coleçã...